08/06/2026
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Dívidas do Fies no RN superam R$ 1,2 bilhão

Estudantes do Rio Grande do Norte acumulam mais de R$ 1,2 bilhão em dívidas do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Segundo o Ministério da Educação (MEC), cerca de 31,6 mil contratos firmados até 2017 estão em atraso no estado. O valor médio da dívida por beneficiário é de aproximadamente R$ 40 mil.

Os dados foram repassados pelo MEC à Tribuna do Norte. O estoque total da dívida no RN supera R$ 1,26 bilhão. O programa foi criado para ampliar o acesso ao ensino superior privado, mas a dificuldade de inserção no mercado de trabalho e o descompasso entre renda e parcelas têm elevado a inadimplência.

O perfil dos devedores mostra que mais de 72% têm até 30 anos e 62% dos contratos são de mulheres. O MEC informou que o não pagamento compromete a sustentabilidade do programa, já que o pagamento regular é uma fonte de receita para o Fundo. Em média, a dívida leva 15 anos para ser quitada.

O economista Janduir Nóbrega afirmou que o volume bilionário de dívidas afeta a economia local. Para ele, se a dívida tivesse sido quitada no tempo devido, teria gerado circulação de recursos, emprego e consumo. Já o economista William Pereira disse que, ao renegociar e começar a pagar, milhões passam a circular mensalmente.

William Pereira acrescentou que, quando uma pessoa começa a quitar o débito, ela reduz gastos no dia a dia, direcionando parte do consumo para o pagamento. Janduir Nóbrega destacou que quem está negativado tem limitações, o que leva a um consumo mais seletivo e restringe o acesso ao crédito.

Potiguares relataram dificuldades para honrar as parcelas. A nutricionista Jéssica Nascimento, de 28 anos, disse que o Fies foi a oportunidade de ingressar na faculdade, mas ela demorou para conseguir trabalho na área e acumulou uma dívida. O débito ultrapassava R$ 49 mil, mas foi quitado por cerca de R$ 15 mil após negociação. Hoje, ela conseguiu financiar uma casa.

A enfermeira Amanda Carolinne, de 33 anos, consegue pagar o financiamento, mas reclama do peso no orçamento. A dívida dela gira em torno de R$ 24 mil. Ela afirmou que no início o programa ajudou muito, mas hoje é um fardo.

William Pereira avaliou que o principal problema não está no Fies, mas no mercado de trabalho, que não gera renda suficiente para os jovens pagarem as dívidas. Janduir Nóbrega concordou, dizendo que o mercado do RN é limitado, com salários mais baixos. Pereira também citou a crise econômica, a pandemia e o crescimento com salários baixos como fatores que dificultaram o pagamento.

Desenrola Fies

O governo federal lançou o Desenrola Fies para renegociar dívidas com condições facilitadas. A adesão pode ser feita até 31 de dezembro pelos canais do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. As condições incluem parcelamento e descontos que variam conforme o perfil. Segundo dados do Banco do Brasil, mais de 25 mil contratos já foram renegociados no país.

Sobre o autor: Coordenacao Editorial

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