O Grupo Pão de Açúcar (GPA) registrou queda de 9,6% na receita líquida no segundo trimestre deste ano, somando R$ 4,2 bilhões. O prejuízo líquido consolidado foi de R$ 252 milhões, alta de 16,2% na comparação com o mesmo período do ano anterior. A recuperação extrajudicial em curso afetou a disponibilidade de produtos nas lojas.
As vendas totais caíram 7% em relação ao mesmo período de 2025. Segundo a companhia, o resultado reflete a descontinuação do formato “aliados”, modelo de venda direta para pequenos comércios, e o reequilíbrio das vendas no e-commerce, que passou a priorizar canais próprios. Sem considerar o impacto do portfólio de lojas e o efeito calendário, a retração foi de 0,8%.
Os efeitos da recuperação extrajudicial, anunciada em março, atingiram o abastecimento das lojas. O GPA informou que houve um aumento temporário dos níveis de ruptura, com alguns produtos tendo o fornecimento afetado. O problema chegou ao pico em maio e começou a melhorar em junho, com recuperação gradual dos níveis de abastecimento.
A empresa afirmou que o cenário de consumo segue pressionado, com o orçamento das famílias disputado entre gastos discricionários e não discricionários. Nas unidades do Pão de Açúcar, as vendas em mesmas lojas caíram 1,2%, influenciadas pela ruptura e pela deflação na mercearia básica. A categoria de perecíveis teve bom desempenho.
No Extra Mercado, houve alta de 0,4% nas vendas em mesmas lojas, impulsionada por ações promocionais entre maio e junho. Já o segmento de proximidade, que inclui Minuto Pão de Açúcar e Mini Extra, registrou queda de 2,3% nas vendas do trimestre. Esse segmento responde por 12,4% das vendas do grupo e foi o mais afetado pela recuperação.
O e-commerce teve queda de 16,2% nas vendas, totalizando R$ 504 milhões. A companhia diz que a operação melhorou a rentabilidade, com foco nos canais próprios. O Ebitda ajustado foi de R$ 450 milhões, alta de 7,3%.
Com o plano de recuperação ainda pendente de homologação, o GPA apresentou uma simulação: a dívida líquida cairia de R$ 3,6 bilhões para R$ 1,2 bilhão, redução de 68%. A alavancagem recuaria de 3,9x para 1,3x. O CEO Alexandre Santoro afirmou que, com a homologação judicial, o prazo médio das dívidas passaria de 2,1 anos para 6,4 anos, reduzindo os pagamentos até 2028 de R$ 5,2 bilhões para cerca de R$ 400 milhões.
A companhia apresentou nova versão do plano de recuperação extrajudicial com apoio de 57,5% dos créditos sujeitos. Até 13 de julho, 97% dos credores haviam escolhido uma das alternativas de recebimento. A expectativa é que a Justiça homologue o plano no terceiro trimestre.
A Ernst & Young apontou que o GPA teve prejuízo líquido de R$ 1,68 bilhão no primeiro semestre, com déficit de R$ 4,1 bilhões em capital circulante líquido. A companhia tinha R$ 4,39 bilhões em recursos de giro contra R$ 8,5 bilhões em obrigações de curto prazo. A auditoria afirmou que há incerteza relevante sobre a continuidade operacional, mas que a homologação da reestruturação pode resolver a liquidez de curto prazo e a sustentabilidade financeira.
