06/08/2026
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Reciclagem de pneus: do resíduo ao asfalto sustentável

Reciclagem de pneus: do resíduo ao asfalto sustentável

O caminho percorrido por um pneu descartado até virar matéria-prima para novas aplicações envolve uma série de etapas industriais. No Distrito Federal, a Quality Rubber é a única empresa que realiza o processo completo de reciclagem, que vai do armazenamento do material à separação de seus componentes.

A empresa atua como ponto de coleta credenciado da Reciclanip, organização ligada à Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP). Denis Canhoto Miranda, sócio e responsável pela logística reversa, explica que fabricantes e importadoras são obrigadas a fazer o recolhimento dos pneus e que a empresa se credenciou para ser um ponto de destinação correta em Brasília.

O processo começa com o armazenamento em local coberto, para evitar acúmulo de água. Em seguida, o aço das laterais, chamado talão, é retirado e enviado para siderurgias. O restante do pneu é moído em fragmentos que diminuem de tamanho progressivamente. Os primeiros produtos dessa trituração são os chips, que ainda contêm borracha, aço e fibras misturados. Parte desse material é usada como combustível em fornos da indústria cimenteira.

Nas etapas seguintes, a borracha passa por granuladoras e peneiração. Um sistema de ímãs separa o aço, e o material é classificado por tamanho de grão. Fibras de nylon, presentes em pneus de carros e motos, são retiradas para evitar contaminação do produto final.

Destino dos materiais

Os granulados maiores são usados em gramados sintéticos, pisos de academias, parques infantis, anilhas e halteres. O pó de borracha, resultado do processo mais refinado, é a matéria-prima do asfalto-borracha.

A Quality Rubber, que opera há quatro meses, é a única empresa do DF e região a triturar o pneu além da fase de chips. Segundo Denis, a opção pela linha completa agrega mais valor ao material e reduz o descarte para queima.

O asfalto-borracha é regulamentado por normas do DNIT, como as de número 111/2009 e 112/2009. Estudos indicam que o material aumenta a durabilidade do pavimento e reduz a necessidade de manutenção, mas a adoção depende de análises técnicas e da capacidade das usinas.

Um exemplo do uso da tecnologia é a Ponte de Guaratuba, no Paraná, que reaproveitou cerca de 23 mil pneus em aproximadamente 600 toneladas de massa asfáltica. A obra envolveu uma rede de empresas, cada uma responsável por uma etapa.

Joel Custódio, diretor administrativo da Strasse Reciclagem de Pneus, que forneceu o pó de borracha para a obra, afirma que a integração entre os setores é necessária para o avanço do mercado. Ele estima que mil pneus podem ser usados por quilômetro de pavimentação em uma pista de sete metros de largura.

O setor ainda enfrenta desafios para crescer. Muitas recicladoras concentram a atividade no coprocessamento para cimenteiras, que exige menos etapas. A Quality Rubber tem potencial para produzir uma tonelada de borracha triturada por hora, sendo 15% destinada ao asfalto-borracha. O DF e o Entorno geram cerca de 12 mil toneladas de pneus inservíveis por ano.

Para Joel, falta uma integração entre poder público, iniciativa privada, recicladoras e indústria. Ele ressalta que o país já tem tecnologia e matéria-prima disponível, mas o avanço depende de políticas que estimulem a economia circular.

Sobre o autor: Coordenacao Editorial

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