28/07/2026
Edital de Concurso»Notícias»Ucrânia adverte Irã a não retaliar após ataque a navio

Ucrânia adverte Irã a não retaliar após ataque a navio

Ucrânia adverte Irã a não retaliar após ataque a navio

A Ucrânia advertiu o Irã, nesta terça-feira (28), a não retaliar após um ataque ucraniano a um navio iraniano no mar Cáspio no sábado (25), que matou uma pessoa. O pedido foi feito pelo chanceler ucraniano, Andrii Sibiha, em contato telefônico com o colega iraniano, Abbas Araghchi. Sibiha também exigiu que o Irã pare de apoiar a Rússia, segundo sua descrição no Telegram.

De acordo com Kiev, o navio atingido transportava equipamento para as forças armadas de Vladimir Putin. O Kremlin condenou a ação, com o porta-voz Dmitri Peskov classificando-a como terrorismo internacional. “Um ataque a um navio iraniano é um ataque ao Irã”, afirmou Peskov, ecoando a promessa de vingança feita por Araghchi na véspera.

A ameaça de retaliação gerou especulações na mídia e redes sociais ucranianas. Estimativas indicam que uma resposta iraniana poderia envolver o míssil Khorramshahr, o de maior alcance do país. Kiev poderia ser atingida em até 25 minutos, dependendo do ponto de lançamento no Irã. Boatos sobre lançadores sendo preparados foram negados pelo governo de Volodimir Zelenski, que afirmou não ter essa informação de inteligência.

Fontes com acesso ao Kremlin disseram à reportagem que a visão russa é de que Kiev tentou criar um fato para aproximar as duas guerras e chamar a atenção de Donald Trump, às vésperas da viagem de Zelenski a Washington. A Ucrânia buscaria qualificar o Irã como inimigo comum para receber mais apoio militar, já que Trump cortou a ajuda direta a Kiev desde que assumiu o cargo.

Do ponto de vista militar, um embate direto entre Irã e Ucrânia parece improvável de escalar além de ataques pontuais. O apoio militar iraniano à Rússia é atualmente nulo, devido à degradação das capacidades iranianas após meses de conflito. Antes da invasão de 2022, o Irã vendeu centenas de drones Shahed-136 a Moscou e transferiu a tecnologia de produção. Os russos passaram a produzir uma versão local, o Gerânio-2.

Putin firmou um acordo estratégico com o Irã no começo de 2025, que inclui cooperação militar, como a venda de caças Su-35S a Teerã. No entanto, não há cláusula pública de defesa mútua como a estabelecida com a Coreia do Norte.

O mal-estar entre Kiev e Teerã tem outros episódios. Quando os iranianos começaram a alvejar aliados dos EUA no Golfo Pérsico, após o ataque de Trump, Zelenski enviou 200 especialistas em drones para ajudar a montar defesas. O valor obtido por Kiev por esse serviço é incerto.

Em paralelo, a troca de ataques entre Rússia e Ucrânia seguiu nesta terça, com ações no mar Negro. Os russos atingiram instalações portuárias e um navio cargueiro perto de Odessa, que ficou em chamas.

Sobre o autor: Coordenacao Editorial

Equipe integrada responsável pela produção e organização de textos com fluidez e coesão editorial.

Ver todos os posts →
Mapa do portal