04/08/2026
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Professor de jiu-jítsu brasileiro é preso pelo ICE nos EUA

Professor de jiu-jítsu brasileiro é preso pelo ICE nos EUA

O professor de jiu-jítsu Thiago Brito, de 34 anos, foi preso no dia 24 pelo ICE, a polícia de imigração dos Estados Unidos, no Aeroporto Internacional da Filadélfia. Desde a detenção, alunos e familiares dele iniciaram uma mobilização para pedir a soltura do brasileiro.

Thiago é faixa-preta e natural de São Paulo. Ele mora na Filadélfia, na Pensilvânia, há dez anos, onde trabalha como professor de jiu-jítsu. Durante a carreira, que soma 20 anos, conquistou prêmios em competições nacionais e internacionais.

O atleta foi detido quando se preparava para embarcar para Orlando, na Flórida. O destino era para acompanhar o Pan Kids, considerado o maior campeonato de jiu-jítsu do mundo, do qual alguns de seus alunos participariam.

Após a prisão, crianças e adolescentes que treinam com ele escreveram cartas e fizeram desenhos, que foram compartilhados pelas academias nas redes sociais. O objetivo é arrecadar doações e pedir ajuda para que o professor seja liberado.

O aluno Liam Karas, de 14 anos, afirmou que o professor é como um terceiro pai. Ele disse que treinou e viajou com Thiago por sete anos e que o treinador o ajudou a melhorar tanto fisicamente quanto mentalmente. Já Landry, de 9 anos, escreveu que o professor o ensina que os erros ajudam a melhorar. A criança pediu para que ele volte.

Pais de alunos também se manifestaram. Rhianon Kearns, mãe de um dos estudantes, gravou um vídeo dizendo que o brasileiro contribui com a comunidade mais do que muitos que nasceram no local. Ela afirmou que o professor acompanha as crianças seis dias por semana há cinco anos e pediu doações.

Uma campanha de arrecadação foi criada para cobrir as despesas com a defesa. Até a tarde de segunda-feira (3), mais de US$ 28 mil (cerca de R$ 143 mil) haviam sido arrecadados. A meta é chegar a US$ 35 mil.

Thiago se mudou para os EUA há dez anos, após convite para atuar como treinador, com visto de turista (categoria B2), que permite permanência de até seis meses no país. A família informou que ele tentou obter autorização de trabalho, mas o pedido foi negado.

A prisão ocorre em um momento de aumento da atuação do ICE nos aeroportos americanos, com fiscalização intensa até em voos domésticos. Em parceria com a TSA, a agência de segurança aeroportuária, os agentes têm detido imigrantes com vistos vencidos, mesmo sem passagem pela Justiça criminal.

Em julho, quando essa prática começou, o número de prisões de imigrantes subiu para mais de 46 mil detenções, cerca de 1.500 por dia, segundo a rede CBS. O governo de Donald Trump já afirmou que pretende chegar a 2.000 detenções diárias de imigrantes em situação irregular.

Depois de ser detido, o brasileiro foi levado ao FDC Filadélfia, centro de detenção federal usado como prisão preventiva. Em seguida, foi transferido para o Moshannon Valley, presídio em Philipsburg, também na Pensilvânia, a cerca de quatro horas da Filadélfia, que recebe somente imigrantes.

Thiago relatou à família que foi transferido algemado nos pés e nas mãos. Na prisão, ele está classificado como detento de baixa periculosidade. Ele aguarda audiência de custódia e tenta acesso a consultas médicas para problemas de saúde que já tinha antes da prisão. A familiares, ele disse que está vivendo um inferno.

No Moshannon Valley, há outros 17 brasileiros detidos. O local é um dos maiores centros de detenção de imigrantes do país, com capacidade para 1.870 presos. A família de Thiago, no Brasil, afirma estar em desespero por falta de respostas. O contato com o atleta é limitado, porque há poucos aparelhos disponíveis para ligações.

O ICE foi questionado sobre a acusação formal contra Thiago e as condições na cadeia, mas não respondeu até a publicação desta reportagem.

Desde o início do governo Trump, em 2025, até julho, 63 voos com brasileiros deportados chegaram ao Brasil, conforme dados do programa Aqui é Brasil, do Governo Federal. Foram quase 5.000 brasileiros retornados. A maioria é de homens (86%), com idade entre 18 e 49 anos. Ao chegar ao Brasil, eles se dirigem principalmente para Minas Gerais, São Paulo e Rondônia, sendo que a maior parte vai para a casa de familiares.

Sobre o autor: Coordenacao Editorial

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